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"NAVEGAR É PRECISO"
Rafael Campos- Equipe Quasar Lontra

“Navegar é preciso”. Quem de nós nunca ouviu esta frase? A nós, navegadores, é preciso encará-la em dois sentidos: “Preciso” sinônimo de necessário, é a forma que a maioria das pessoas interpreta. Realmente é necessário navegar, senão não chegamos a lugar algum, mas não é neste sentido que quero bater; “Preciso” sinônimo de exato. Ou seja, navegar com precisão, com exatidão. Para quem não conhece ou nunca se aventurou a navegar, diria que após um bom curso já saberia navegar. Basta decorar toda a simbologia, aprender a interpretar curvas de nível, plotar mapas, trabalhar com escalas e declinar. Sem dúvida, orientar envolve tudo isso e um pouco mais. Aliás, pouco não, muito mais. Um dos pontos que quero frisar é a necessidade de trabalhar com precisão.

Em navegação, nós temos de tentar eliminar todos os erros possíveis. Assim, a possibilidade de acertarmos aumenta. E para isso, é necessário saber onde (os erros) podem estar. Em cada um dos instrumentos utilizados para navegação nós podemos estar cometendo algum erro. Erros que sequer imaginávamos existir. Acontece que embora sejam mínimos, a soma destes pequenos erros pode nos levar a um resultado bem diferente do que planejávamos e imaginávamos. Quem já se perdeu ou errou na navegação (e atire a primeira pedra quem nunca o fez) e parou para analisar o motivo, pode ter notado uma das situações que descreverei.

Podemos estar cometendo estes erros antes mesmo da prática. Alguns se iniciam no momento de plotar os pontos. A seguir, falarei sobre alguns dos instrumentos que utilizamos e os possíveis erros.

Régua: No momento de plotar os pontos ou quando tomarmos medida de uma rota, precisamos atentar à régua utilizada. Procure régua de boa qualidade. Régua de propaganda eleitoral ou similar é “fria”, pois possuem tamanhos diferentes (ainda que milimétricos), se deformam facilmente com o calor, apagam as marcações, nem sempre são “retas” ou possuem as marcações borradas.

Lápis, caneta: Procure utilizar caneta ou lápis de ponta fina e de cor apropriada. Uma ponta grossa não lhe permitirá ser preciso, sua marcação ficará em uma “área” e não em um “ponto”. Uma anotação em local ou cor inapropriada poderá cobrir ou atrapalhá-lo em uma informação importante constante no mapa, e você só irá notar que aquela informação era importante quando estiver precisando dela, no meio da trilha...

Bússola: Uma bússola de boa qualidade é indispensável. Bússolas-chaveiro, bússola-caneta e outras similares não são apropriadas para navegação. Procure uma bússola com base de acrílico, que tenha limbo graduado móvel, e com uma agulha com boa “estabilidade”, ou seja, ela não deve ficar tremendo a todo momento. Certifique-se que não existe nenhuma bolha. Isto pode prejudicar a leitura.

A agulha da bússola sofre interferência: Por ser um corpo imantado, que se orienta de acordo com o campo magnético, a agulha sofre interferência de outros campos magnéticos ou corpos metálicos. Portanto, procure fazer a leitura da bússola distante de grandes massas metálicas, tais como tratores, caminhão, cercas metálicas, portões, linhas de transmissão de energia elétrica e de outras bússolas. Experimente colocar uma bússola próxima de outra e note o quanto varia a leitura da agulha!

Estes são alguns cuidados que devemos ter com os instrumentos de navegação. Futuramente estarei comentando outros erros que estamos sujeitos a cometer, e que normalmente só percebemos no pior momento: quando estamos errados ou perdidos.

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