Trekking ao Pico
dos Marins ficará
marcado
para sempre aos que conquistaram
o cume.
Por Rafael Campos
No último final de semana realizamos um treino naquele que já
foi considerado o ponto culminante do estado de São Paulo, o
Pico dos Marins.
O encontro entre os interessados na expedição
aconteceu na cidade de Piquete, no vale do Paraíba, distante
210km da capital. Às 06:40 da manhã, quando os primeiros
raios de sol começavam a iluminar a cidade que está a
cerca de 650m de altitude em relação ao nível do
mar, iniciamos nossa pedalada rumo ao "acampamento base" do
Marins. De início são 17km em asfalto, todo em subida,
até a divisa de estado com Minas Gerais. Após um bolo
de cenoura na beira da estrada, iniciamos a pedalada por estrada de
terra. Pequenos sítios, cortados por riachos de água cristalina
e muitas araucárias compunham o visual, iluminado pelo sol ainda
baixo. Mais cerca de 15km em estrada de terra, continuando a subir,
até o ponto de encontro com outra parte do grupo, que foi até
ali de carro.
No
total estávamos em 14 pessoas. Finalizamos a arrumação
das mochilas para iniciar a subida ao cume.
Alguns planejaram chegar ao cume e retornar
no mesmo dia, e seguiram com mochilas de ataque. Já os que foram
preparados para dormir no alto da serra, carregavam mochilas cargueiras
com barracas, isolantes, comidas e muita roupa de frio. O início
da caminhada foi em estrada de terra, bastante íngreme. Mas depois
de 40min se atinge o "morro do Careca" de onde se tem uma
vista privilegiada do cume a se atingir, e também do vale do
Paraíba. Dali a trilha fica mais íngreme,mais estreitas,
até atingirmos o maciço rochoso.
Dalí para cima, a impressão
é de que o alto da montanha está próximo. Mas o
caminho possui algumas "pegadinhas", e é necessário
manter atenção no relevo para não se perder. Muitos
trechos de "escalaminhada" exigem o mínimo de técnica
de aderência para se subir às pedras e rampas mais íngremes.
Já próximo ao pico, a apenas
200m de desnível do cume, o único ponto com água
no caminho onde fizemos uma parada para o lanche de almoço. E
após devorarmos os sanduíches e com energia renovadas,
seguimos no último lance da subida, com bastante paredes a serem
vencidas. Finalmente, o cume! Estávamos a 2420 metro de altitude,
e com a satisfação invadindo o coração e
ânimo de todos. A vista é espetacular. 360o de beleza.
De um lado, São Paulo, com o Vale do Paraíba, a Serra
Fina, Itaguaré... Do outro, as serras de Minas Gerais.
Apesar do sol constante, fazia frio. E
então iniciamos a descida pelo mesmo caminho que fizemos para
subir, até o ponto de água. Ali montamos acampamento.
Parte do grupo retornou ao acampamento Base, e conseguiu chegar em segurança
antes que a noite começasse.
No alto, após montarmos as barracas, iniciamos
o preparo do jantar: massas com molho branco, calabresa frita, polenta,
queijos, castanhas.... que delícia. A lua em fase crescente,
iluminava nossas barracas e podíamos avistar o cume completamente
limpo.
Às 20:00, os termômetros marcavam 5o C. Era hora de vestir
primeira, segunda camada de roupas, jaquetas com pluma de ganso, wind-break,
luvas, gorros... e se preparar para dormir. Antes de dormir, um capuccino
bem quente.
A madrugada foi gelada, próximo de zero grau. Mas dentro das
barracas, a situação era mais confortável.
No domingo, antes do sol nascer, alguns
de nós voltamos ao ponto mais alto, para lá contemplar
o espetáculo do sol nascendo. Com as montanhas de fundo, e um
"mar de núvens" abaixo de nós, tudo era deslumbrante.
Apenas o ponto mais alto de algumas serras apareciam, como se fossem
pequenas ilhas. Se o céu limpo e estrelado, e a lua da madrugada
já tinham valido àpena por todo o esforço, aquele
momento do nascer do sol era um "bônus"! O fotógrafo
profissional Alírio Castro aproveitava para registrar cada momento.
Após o nascer, então um gostoso
café da manhã na montanha e retorno ao acampamento base.
Na memória de cada um que atingiu
o pico, uma lembrança para sempre. As fotos nos ajudarão
a relembrar de cada momento, mas a experiência vivida, as boas
companhias e estórias é a que não se apagarão.
E a vontade de em breve partir em busca de mais
uma exploração.
Equipamentos indispensáveis
que usei, testei e aprovei!
Por Rafael Campos
Realizar este tipo de treino/exploração
em situação extrema, nos permite e em alguns momentos
exige usar uma grande quantidade de equipamentos. Alguns dos que foram
indispensáveis:
- Tênis "Single track" da The North Face:
Extremamente confortável, e com um solado excelente para esta
condição. Com muito boa aderência nas rochas e nas
trilhas de terra seca e úmida. Apesar de carregar cerca de 25kg
nas costas durante dois dias, terminei sem nenhuma bolha ou dor nos
pés.
- Óculos "Radar"
da Oakley:
Em alguns momentos os raios eram de frente. Em outros trechos com sombra,
mas em momento algum os tirava. Estes óculos ficaram muito bem
presos ao rosto, não caíram em nenhum momento. E de tão
confortável, as vezes me esquecia que estava usando. As lentes
não embaçaram em nenhum momento.

- "Canivete suiço"
Vitorinox:
Sempre no bolso, é útilizado a todo momento: canivete,
abridor de lata, tesoura, pinça.... indispensável!
- Head-Lamp Apex Pró, da
Princeton-tec:
Bastante leve, econômica e com dois tipos
de led, um para longo alcance onde é possível rastrear
trilhas e outro com mais brilho para próximo, para se usar no
acampamento, na barraca. E ainda por cima à prova d'água.
- Jaqueta HyVent DT, da The North
Face:
Com perfeita proteção ao vento, mas mantendo a respirabilidade
do suor, é muito confortável. Leve e prática. Quando
dobrada, cabe dentro do próprio bolso.
- Camiseta manga longa, com tecido
X-Bio da Santa Constância:
Bastante confortável, com tecido leve e boa elasticidade, além
de proteger em parte dos raios solares. Apesar da abrasão nas
pedras, não rasgou ou tampouco formou "bolinhas". A
ação bacteriostática que inibe o mau cheiro que
pode ser provocado pelo suor. A mesma que usei no primeiro dia para
a caminhada, reutilizei no dia seguinte para o retorno, e ninguém
reclamou.
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Créditos de fotos: Alírio de Castro