Equipe Quasar Lontra
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QuasarLontra conquista o 3o lugar na maior corrida de aventura do ano - Brasil Wild Extreme

A equipe QuasarLontra de corrida de aventura conquistou mais um podium na mais longa corrida de aventura do Brasil, a Brasil Wild Extreme.

Realizada entre os dias 07 e 12 de abril, a competição com 626km de percurso, percorreru quatro estados brasileiros: Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco.
Largaram para a corrida 58 equipes de todo o país, além de duas equipes estrangeiras. Tanto a largada quanto a chegada, aconteceu na cidade de Paulo Afonso, na Bahia.

Veja a seguir, o relato do atleta Rodrigo Martins (trator):

"Finalmente chegou o dia da largada. Foi um trecho de 70 km de canoagem em duck. Minha pior modalidade na aventura, mas tinha treinado bastante para não influenciar no ritmo da equipe.
A largada foi dada no Rio São Francisco, às bases das comportas da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, com uma dupla (Rafa e Sabina) nadando um trecho de 500m e depois a outra dupla (Eu e o Xikito) remando para resgatar os dois no rio e começar os quatro a prova, remando até o próximo PC.
Demorei para achar o Rafa e resgatá-lo para o duck. Quando encontrei estávamos muito atrás na fila enorme de ducks que se formava no "velho Chico". Agora era fazer força e ultrapassar quantas equipes fossem possíveis. Remada alucinante, parecia que a prova iria durar apenas 24 horas tamanho era a intensidade desse inicio de prova.
Conseguimos ultrapassar quase todas as equipes até ficar atrás apenas da SOS Mata Atlântica, equipe form
ada por excelentes remadores.
Nos mantivemos ali boa parte do remo, remando pelos belos cânions do rio, em um visual maravilhoso. Mantivémos um ritmo confortável para chegar no primeiro PC virtual da prova, onde nossa tática era deixar o Rafa e a Sabrina nesse PC (para irem direto para o PC2 descansa) enquanto que eu e o Xikito remariamos até o PC1 e de lá seguiríamos de trekking até o PC2 encontrá-los. Teríamos duas vantagens:Eu e o Xikito poderíamos fazer esse trecho de trekking mais rápido, enquanto o Rafa (nosso navegador) e a Sabrina poderiam descansar e se poupar para o restante da prova.
Na chegada do PC1, final da canoagem, eu e o Xikito deixamos os ducks juntos com três equipes. Fizemos uma transição muito rápida e saímos correndo rumo ao PC2.
Nesse trecho eu seria o navegador, minha primeira prova navegando sério, não poderia errar. Mas como existe a famosa lei de Murphy, logo na primeira saída do mapa eu acabei errando e tivemos que passar por baixo da barragem e não por cima como previa o mapa. Mas tudo bem, nada que uma corridinha mais forte não recuperasse o tempo perdido.
Fomos navegando eu e o Xikito, ambos visualizando o mapa para não perder mais tempo em erros.

Chegamos no PC2 em 2º lugar, pausa para hidratar, lavar os pés, comer um pouco e reunir a equipe para continuar a prova. Fomos rumo ao próximo PC/AT que seria a troca para o trecho de bike onde haveria mais uma divisão na equipe. Aqui abro um parênteses para dizer que na cidade onde houve esse AT, tivemos uma calorosa recepção pelos habitantes. Crianças e adultos cantavam e gritavam, querendo nos tocar e ver o que se passava. Foi muito gratificante!
Bom, voltando a prova tivemos uma divisão de equipe nesse trecho de bike, onde o Rafa e o Xikito foram pegar um PC virtual num trecho mais longo e eu e a Sabrina ficamos com outro PC virtual num trecho mais curto. Estes PCs virtuais implicavam em um aumento do percurso, mas resultariam am bônus de tempo no final da competição.
Nesse trecho curto, a Sabrina começou a sentir o efeito do calor “fritante” do sertão. Parecia uma sauna ao ar livre, tamanho era o calor. A Sabrina começou a desidratar e com isso perder um pouco das forças. Nesse trecho honrei meu codinome de Trator, coloquei uma cordinha bike dela e levei até o final do trecho, para ela ir descansando e a gente também não perder tempo parado.
Chegando na cidade onde esperamos o Rafa e o Xikito, consegui que a Sabrina comesse e se hidratasse para recuperar as forças.
Esperamos 1h30’ até eles chegarem para reunir a equipe novamente e seguir até o próximo PC/AT.

Nesse meio tempo estávamos em 2º colocados há 1 hora dos líderes.
Chegamos no próximo PC/AT, e eu particularmente tive um grata surpresa, como era meu aniversario o PC em conjunto com um grupo de crianças que moravam perto cantaram Parabéns para mim. Foi emocionante, nunca mais vou esquecer aquele momento!
Velinhas apagadas para os meus 32 anos, seguimos para o percurso de trekking. Nesse trecho conseguimos alcançar a 1ª equipe mas também fomos alcançados pela 3ª, aí ficou uma disputa até o final desse trecho.
Chegamos no PC/AT, seria um trecho de bike com bastante subida e trecho de single track, só não imaginávamos o que estava por vir.
Para começar subimos um morro com a bike nas costas e depois descemos da mesma maneira, e então pedalamos em areia fofa praticamente todo o trajeto desse trecho. O trecho era isolado, não havia nenhum ponto de apoio, nem moradores, nem rio ou qualquer outra forma de obter água para consumo humano. Foi necessário uma atenção tremenda na navegação para não haver erros, porque poderíamos pagar caro com a possível falta de água. E com um sol de 36°C poderia ser perigoso.
Nesse trecho, estávamos em 1º e fomos ultrapassados perto do final.

O próximo PC/AT seria para 2ª canoagem da prova, até então estava programado um trecho de 80km. Quando chegamos ao PC/AT fomos informados que houve redução no percurso da prova, o remo seria de 38km e o próximo trecho de bike que seria de 140km passaria para 78km.
A noticia serviu com um alivio depois daquele trecho exaustivo de empurra-bike na areia.

Noite de pesadêlos
. Fizemos nossa preparação para remar, escolhemos os ducks e entramos na represa.
Começamos a remar por volta das 16h30 em direção a uma igreja que foi inundada pela formação da barragem, onde só restou o
telhado para fora da água. Fantástico!
Após passar pela igreja, seguimos até o próximo PC que estaria a 36km dali. Com o cair da noite, céu estrelado, começou a ventar, ventar muito!
Trecho sinistro, ventava forte e com isso houve a formação de ondas. Parecia que estávamos no mar.

Tivemos o azar de escolher um duck que estava furado, com isso nosso ritmo caiu muito. Sem contar que precisávamos parar para encher o duck a cada 30 minutos.


Bom, amanheceu e encontramos o próximo PC/AT onde seria um trecho de bike. Nesse PC descobrimos que estávamos há 6 horas atrás da 1ª colocada e a 2 horas atrás da 2ª colocada, foi um golpe forte para a equipe. Nunca imaginaríamos que tivéssemos perdido tanto tempo com o duck furado e o vento durante o trecho de canoagem.
Bom, o jeito era forçar e ver até onde conseguíamos recuperar essa diferença. Pedalamos forte os 78km para tentar reduzir essa diferença.
Quando chegamos no PC/AT, onde seria realizado o trecho de trekking mais difícil da prova, o famoso e inóspito: RASO DA CATARINA, trecho de areia fofa e com 50km de extensão, onde era a região onde o bando da lampião se escondia dos seus inimigos.
Começamos o trecho no inicio da tarde e por nossa sorte, fizemos o trecho durante a noite a madrugada. Isso nos poupou de enfrentar um calor imenso do sertão. O trecho foi percorrido com uma pausa para descansar e dormir um pouco, afinal estávamos com mais 80 horas de prova e o sono já era quase insuportável.
Amanheceu e chegamos no último PC/AT, onde pegaríamos a bike e seguiríamos até o trecho onde estava sendo realizado os verticais.
Aliás, das provas que eu fiz essa foi a tirolesa mais linda que eu realizei.
Nas técnicas verticais o Rafa fez ascensão e o rapel, a Sabrina fez o rapel e a tirolesa, o Xikito fez a tirolesa “seca” e eu a tirolesa “molhada”, onde terminava numa piscina natural formada pelo rio São Francisco.
Técnicas verticais realizadas restavam apenas 4km de bike até a chegada.
Missão cumprida, não era nosso principal objetivo, mas estamos felizes com o 3º lugar por que lutamos com boas equipes.
Adorei participar dessa prova, foi uma chance única de conhecer um pouco mais do nordeste brasileiro. Região rica em beleza e pessoas com uma generosidade imensa, serviu pra nós como uma lição de vida. Depois dessa prova eu com certeza sou uma pessoa melhor."

Marcado para sempre. Uma imagem ficará gravada em nossas mentes. Mais do que a dureza da prova, o calor do sertão, as belezas dos cânions... A hospitalidade do povo do sertão.Toda e qualquer casa que pedimos ajuda durante a prova, sempre fomos atendidos, por mais humilde que era a casa ou o morador sempre era nos oferecido o que eles tinham de melhor. Ficamos envergonhados com tamanha generosidade do povo nordestino, foi emocionante! Se eles tivessem apenas um copo d’água e um prato de comida eles dariam pra gente sem pensar e caso nós negássemos em receber ficariam chateados.
Essa prova foi mais que uma aventura, foi uma lição de vida!

Valeu Galera e até a próxima.

 

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