Equipe Quasar Lontra
   

Equipe Mitsubishi Salomon QuasarLontra vence na abertura do Campeonato Paulista de canoa havaiana 2004 - por Fabio Maradei (fabio@fmanoticias.com.br)

A competição foi realizada no Canto dos Pescadores, no Guarujá, atraindo um grande público e foi marcada pelo alto nível técnico e disputas acirradas. Em cada categoria, as equipes disputaram três baterias de 1.500 metros, exigindo muita velocidade, força e explosão.
A equipe Mitsubishi Salomon QuasarLontra confirmou o favoritismo e ratificou a condição de imbatível no momento. Com quatro dos seis integrantes sendo atletas de destaque internacional em provas de aventura, o time venceu as três baterias. Só levou um susto na segunda prova, quando chegou a estar em terceiro lugar, depois de sua canoa ficar "enroscada" em outra, mas mostrou muita força, sobretudo com as duas 'Carmens', que remam nas posições de frente.
"Elas são o motor do time. Um dos segredos está nas extremidades da canoa", brincou o capitão Victor Lopes, falando sobre Carmen Sanchez e Carmem Silva, que remam nas posições 1 e 2, dando o ritmo do grupo e Edney China, o leme, função mais importante na disputa e responsável pela direção da embarcação. A base da equipe é da prova de aventura.
"Acho que isso nos ajuda muito, porque sempre sabemos que as adversidades podem surgir a qualquer momento e não podemos relaxar", destacou Vitão, que junto com Marina Verdini, Fabrizio Giovanini e Rafael Reyes (desta vez ausente na prova de canoa), formou a equipe que esteve no Eco Challenge Fiji em 2002, talvez a mais dura prova de aventura já realizada. Carmen Silva também esteve neste desafio, numa equipe junto com Eduardo Coelho da Master, e hoje é considerada a atleta mais forte do País em canoagem. É a atual heptacampeã na classe oceânica e também foi bicampeã nacional de rafting. "Minha vida é remar, mas aqui o conjunto vale muito. A equipe toda tem de estar afinada e temos um excelente conjunto", disse.

Na categoria masculina, o equilíbrio foi tanto que as três melhores equipes tiveram de voltar ao mar para a definição do vencedor numa disputa extra.
Voltaram para remada decisiva a Master (ex-Paulistano), da capital, atual tricampeã brasileira de resistência e também atuando na canoa desde a sua criação no Brasil; a Vit Shop/ EAS, campeã brasileira de velocidade em 2002 e com canoístas da Baixada Santista; e a Brucutus. Cada uma tinha vencido uma bateria e na fase definitiva, Brucutus e Master vieram lado a lado até os metros finais, com a vitória sendo definida na corrida, depois das duas canoas chegarem embaladas pelas fortes remadas e por uma onda.
Um remador de cada time tinha de correr cerca de 100 metros, da beira d' água até o pórtico oficial na areia e o remador de Bertioga, superou o da equipe paulistana por apenas uma passada, empolgando o público na areia. "Mostramos superação, garra", disse o remador do time vencedor, que na segunda bateria virou, chegando na última colocação
A equipe de Bertioga Brucutus também acabou vencendo na categoria iniciantes.

A próxima etapa do Paulista de Canoas Havaianas 2004 será em agosto, na praia do Gonzaguinha, em São Vicente. Antes os atletas disputam a competição inicial do ranking brasileiro agora nos dias 10, 11 e 12 em Florianópolis (SC), onde há um dos principais centros da modalidade, junto com a Baixada Santista e Rio de Janeiro.

SINCRONISMO - As canoas havaianas são réplicas das embarcações usadas há 3 mil anos pelos povos polinésios. Chegaram ao Brasil em setembro de 2001. As tradicionais contam com seis remadores e cada um tem uma função específica. O nº 1 ou voga (quem fica na frente), por exemplo, dá o ritmo do barco. Já o nº 6, ou leme (que fica na outra extremidade), é o responsável pela direção do barco. Longas, elas medem 14 metros, tem apenas 50 cm de largura e um estabilizador lateral (chamado de ama), fixado por dois suportes (os yakos).
Nesse esporte, o fundamental é o sincronismo, as remadas compassadas, para que a canoa tenha um bom desempenho. Durante as remadas, um grito sempre é ouvido por todos: o Hip Ho. Este é um comando para que os remadores troquem a remada de lado. A cada 20 ou 25 remadas, um dos integrantes do time grita "Hip" e na seqüência os outros componentes completam com o "Ho", passando os remos para o outro lado do barco, para que não haja um desgaste muito grande.

Foto: Ivan Storti / FMA comunicação.
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